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domingo, 20 de maio de 2012

Momento Poesia: Domingo

Domingo é o dia de desacelerar. Quem não trabalha no comércio, pode aproveitar o dia, o sol, a praia e se divertir.
Mesmo quando faz frio, e não queremos sair de casa, o domingo é o dia de relaxar, a não ser que você faça vestibular.
Contudo, este como qualquer outro dia tem suas desvantagens. A segunda é a volta ao trabalho, a terça ainda não é o meio da semana, a quarta ainda não é quinta e a quinta é quase sexta, quase o dia de furar a dieta...
O problema do domingo, é que nada na tv presta. Quem não sabe se distrair com outra coisa sofre com o tédio.
Para mim, que prefiro o lado bom das coisas, o domingo dá a folga do ruge-ruge, do fast food. Dá oportunidade às pessoas de contemplar umas às outras, o que por vezes passa batido na rotina,nos dias úteis.
É também o dia em que de repente podemos perceber como alguém é lindo, ou como há animais abandonados na rua. Os problemas estão de lado,até segunda ordem, e permitimos a intervenção do sr Acaso* para ampliar nossos horizontes.
Tudo isso, contudo, são coisas que não fazem a menor diferença para o cotidiano e para a rotina. Sua importância é fazer a mágica de nos manter humanos.


Mesmo quando a segunda espreita maldosamente o domingo,e nos tira o sossego, o domingo continua a ser especial, pois é um dia para cada um. E é o dia de todos. É um dia para se sentir e ser Alguém. Um dia especial...

* refere-se a um outro poema publicado em http://diariosdebordo-2.blogspot.com cujo nome é Sr Acaso.

domingo, 13 de maio de 2012

O homem do sudário.


Sábado dia 5 deste mês, fui no shopping Via Parque ver uma exposição sobre o Santo Sudário. Há anos que ciência e religião batalham para descobrir se o manto sagrado foi ou não de Jesus. Minha amiga Gleice que foi comigo, levou seu coração cheio de fé e acredito que não saiu de lá como eu: com mais pulgas atrás da orelha do que quando entrei. Senti que ela saiu crente de que foi Jesus o dono da mortalha.

Não vou desmerecer a exposição, pois deu muitos dados arqueológicos interessantes que antes eram desconhecidos do grande público. O único problema, é que ela era claramente tendenciosa. Parecia que a organização do evento montou o cenário para convencer que foi Jesus com certeza. Falaram dos testes para datação com carbono 14, que falharam porque no século XVI alguém teria tentado remendar o manto, mas não deram a nova datação. Além disso tinha o fato de que missas eram rezadas no local da exposição.

Por mais que as evidencias encontradas indiquem um sofrimento descrito em textos religiosos, não podemos descartar que pudessem pertencer a um homem que sofreu como o Cristo, principalmente se fosse um discípulo dele. No filme "O Corpo" com o Antonio Bandeiras, mostra exatamente um caso como este, a diferença é que tentava-se mostrar que o corpo não pertencera ao Cristo para não causar cisma na Igreja. Recomendo que todos que se interessem por arqueologia vejam o filme.

Saindo da questão da ética científica, a exposição foi maravilhosa! Muito comovente, me senti como Madalena assistindo à morte de seu mestre, pois nos explicam passo a passo a tormenta do dono do sudário, e é como se estivéssemos assistindo de verdade, sem poder interceder. Vou colocar para vocês mais fotos que tirei da exposição,vejam o link no fim do post. Por mais que eu tenha minhas dúvidas sobre quem realmente era a pessoa cujo rosto ficou eternizado no manto, era impossível não evocar a imagem de Jesus. Afinal o suplício dele deve ter sido praticamente o mesmo, e a figura de Cristo, é muito querida por mim.


http://www.facebook.com/media/set/?set=a.461408713875118.126023.100000179819126&type=3

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Escola: ensina ou adestra?



Não sou expert em História grega, mas pelo que sei, na Atenas clássica o conhecimento filosófico era construído e debatido na ágora, que era um espaço aberto ao público masculino (pois mulheres não eram cidadãs e os escravos também não). Há quem diga que por filosofia os atenienses não consideravam apenas a falação abstrata sobre a vida e a sociedade. Houvi em algum lugar que Platão ou Aristóteles se negava a permitir que pessoas não versadas em geometria participasse dos encontros. Isso porque Filosofia significa afeição pelo saber, e não uma divisão do saber como vemos hoje em dia.Entretanto esse não é o assunto do blog hoje.

A foto a cima é de um teatro grego (ou heleno se quisermos usar o termo academicamente correto), que eu acredito que também servisse como lugar de "estudo". Olhando para ele fico imaginando ter aula num ambiente de tanta liberdade. Seria interessante ficar a céu aberto (quando não tivesse chuva), pois o que se conhece hoje são escolas que parecem prisões, assim como os conventos. Não são lugares muito confortáveis para aprender qualquer coisa. Quando eu estava no segundo grau a inspetora dizia no fim do recreio: "acabou o banho de sol!". Nada tem tanta precisão como essas palavras. A estrutura física da escola, a obrigatoriedade de uniforme, a restrição da liberdade (até de ir ao banheiro!) e o tolhimento da opinião nos revelam que o objetivo da escola não é instruir, estimular a capacidade criativa do aluno, ou formar um cidadão com opinião própria. São poucas escolas e universidades que estimulam os alunos, a maioria condiciona as pessoas a pensarem dentro de uma fórmula de bolo e terem uma visão limitada da vida.

Na área da História e das outras Ciências Humanas é possível ensinar estimulando a criatividade e o discernimento do aluno. Não sei se é possível nas Ciências exatas, só sei que é importante, e não só para quem vai cursar o Ensino Superior, pois todos precisam enxergar a complexidade da vida. As portas/barreiras que criamos em nosso cérebro só nos fazem sofrer, pois não poderemos sempre classificar as coisas num mesmo modelo. Cada fato e evento deve ser estudado em sua individualidade e é claro também com suas conexões e contextos, mas deve se visto como algo único.

Com isso não quero dizer que devíamos voltar aos ensinamentos ao ar livre, mas também não precisamos limitar tanto as crianças. Não é à toa que elas crescem tentando se encaixar em estereótipos e grupos. Estão sempre pensando dentro do modelo e sempre sofrendo quando não se adaptam. Isso porque se acostumam a viver dentro de prisões físicas e psicológicas que mais tarde darão muitos problemas para se libertar.E você o que pensa sobre o assunto?

terça-feira, 17 de abril de 2012

Carro de bois e smartphone

"Era o carro de bois do carreiro Anselmo que costurava os sertões, trazendo notícias e suprimentos ( ... ) " *
O sinal sonoro do carro de bois chegando à fazenda Paraíso, era para Cora Coralina uma janela que se abria para o mundo através das cartas, jornais que vinham de longe. Aquela sonoridade devia lhe trazer uma enxurrada de sentimentos.
Assim ela expressou:
"Uma festa, apurar o ouvido ao longínquo cantar do carro/ avistado na distância/ esperar as novidades que vinham: cartas, livros e jornais" ( Cora Coralina Vintém de cobre - meias confissões de Aninha ).
Seriam as mesmas sensações avivadas pelo cantar do carro e pelo sinal sonoro dos nossos smartphones?
Cora e tantas outras moças e moços e velhos e velhas, viviam suas emoções até a volta lenta e demorada do carro de boi, do giro vagaroso e rangido de suas rodas de madeira.
E nós? Com a velocidade quase instantânea das nossas mensagens, e-mails, estamos conseguindo saborear as sensações? Ou será que essa enxurrada de sinais sonoros, luminosos nos nossos smartphones está nos afundando, distanciando de nossas próprias emoções?

Uma notícia, em tom de brincadeira, relata uma moda nos Estados Unidos chamada de Phone Stacking, ou Empilhamento de Telefone.
As pessoas reunidas à mesa de um restaurante, colocam seus celulares no centro da mesa com a tela voltada para baixo e aquele que sucumbir aos apelos sonoros do seu aparelho, perde a brincadeira e paga a conta.
Esta maneira "divertida" de encarar um almoço em família ou entre amigos, revela o resultado de uma pesquisa que aponta que 47% dos americanos entre 17 e 34 anos de idade, usam o facebook, twitter ou mensagens na hora de comer.
A brincadeira é uma boa maneira de medir quão viciados em redes sociais estamos, nós e nossos amigos.

Aumentamos surpreendentemente a velocidade do carro de boi para a chegado de nossas cartas, notícias e agora nos aprisionamos nas janelas luminosas dos nossos aparelhos de comunicação.
E você, vai pagar a conta?

* trecho do livro - Cora Coralina Raízes de Aninha.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Arco íris na berlinda.

Hoje vi algumas partes de um filme sobre os filhos de um casal de lésbicas. A justiça preferiu dar a guarda de Heather para os avós quando a mãe biológica morreu. Acontece que a pequena tinha outra mãe: Jeanine. Foi comovente a separação de mãe e filha. Os avós da garotinha até bateram em Jeanine para ela largar a filha, que estava aos berros, achando que a mãe não gostava mais dela.

O que mais me chamou atenção nesse filme, foi a advogada de Jeanine (Whoopi Goldberg). Ela era tão boa que conseguiu convencer um juiz ultra conservador a dar a guarda da menina para a mãe, e o mais interessante é que nesse filme descobri que é errado acreditar que uma criança que é filha de gays vá ser gay também. As estatísticas mostram que na verdade a maioria segue a orientação sexual mais comum. É claro que não haveria problema algum se não fosse assim, teriamos apenas mais crianças de proveta, o que não vejo problema nenhum.

Antigamente tinha uma propaganda na televisão em que um rapaz batia na porta da casa de uma familia implorando para falar com alguém que morava lá. De inicio parecia que era a filha do casal, mas na verdade quando a mãe entrava no quarto era um garoto chorando. Acho que foi a cena mais bonita que vi na tv, porque a mãe dizia: "Acalme-se meu filho, você vai encontrar alguém melhor". É uma pena ter parado de passar, mas é mais ou menos esse tipo de compreensão que se precisa ter na sociedade. Infelizmente igrejas e setores sociais mais conservadores ainda não aceitam a homossexualidade. Vẽem como uma doença, um encosto ou falta de moral. Fiquei sabendo há minutos atrás que a Avon está vendendo um livro de um pastor americano que fala mal dos gays, está até tendo uma campanha contra a marca por isso. É uma vergonha para a humanidade, aliais mais uma, se a Igreja Católica pecou com a Inquisição, a Igreja protestante peca ao pregar a intolerância, e qualquer outra seita que apoie isso.

Pelo que venho percebendo, o preconceito normalmente é uma arma de algum tipo de autoridade reinante nas sociedades humanas. É um instrumento de homogeinização social para impedir que a ordem seja subvertida. Mas esses preconceitos limitam a visão do novo. Somos humanos, o normal é mudar, experimentar coisas novas, pois nossa curiosidade sempre busca pelo conhecimento, e o conhecimento adquirimos com o que é diferente de nós. O outro é sempre um anteparo de nós mesmos, e não é certo usar esse anteparo como algo negativo, pois ele nos ajuda a conquistar uma maior sensibilidade de espírito. Ensina-nos a não ser egoísta e não ver apenas o nosso lado. A consciência do outro é fundamental, pois além de ver as diferenças e nos entendermos através delas, podemos ver também que somos iguais numa matriz: somos todos da mesma espécia com necessidades parecidas e provavelmente uma natureza comum.

sábado, 14 de abril de 2012

Coisas do Nosso Brasil: Tentando criar camelos no Nordeste.



Este artigo foi digitalizado de uma antiga revista de História bem conceituada, chamada Nossa História. É do ano de 2004, volume 9.